Afinal, o que nos faz realmente felizes? Inúmeras pesquisas já foram feitas nesta área e a ciência tem muito a nos dizer sobre como podemos construir uma vida mais feliz. Os pesquisadores definem felicidade como ter satisfação e um significado para vida. É a propensão para sentir emoções positivas, a capacidade de se recuperar de emoções negativas rapidamente e ter um senso de propósito. A felicidade não é ter muito privilégio ou dinheiro. Não é um prazer constante. É uma coisa mais ampla: nossa capacidade de nos conectar com os outros, ter relacionamentos significativos, ser parte de uma comunidade. Ao longo de décadas de pesquisa e em todos os estudos, as pessoas que dizem que se dizem felizes têm fortes conexões com a comunidade e com outras pessoas. Esse é o tipo de receita para a felicidade.

Dinheiro não importa? Mesmo?!
A suposição costumava ser: Sim! Mais dinheiro fará as pessoas mais felizes! Mas existem bons dados sobre isso dos últimos 100 anos. Desde a década de 1920 até a década de 1950 – uma era de depressão e guerra mundial -, à medida que a renda das famílias aumentava, havia um aumento na felicidade das pessoas. Mas depois disso a linha apenas diminuiu. Estudos mostram que o dinheiro aumenta a felicidade quando leva as pessoas de um lugar onde há ameaças reais – a pobreza – a um lugar que é mais seguro. Depois disso, o dinheiro não importa muito. Pesquisas do psicólogo e economista Daniel Kahneman, premiado com o Nobel, mostraram que o dinheiro aumenta a felicidade até cerca de US$ 75.000 por ano (para um cidadão norte-americano), e depois disso o nosso bem-estar emocional não aumenta com a renda.
Uma pergunta aparentemente tola é “O que você prefere: ganhar na loteria ou perder as pernas num acidente?” Qual das duas hipóteses lhe faria mais feliz depois de um ano? Ganhar na loteria parece uma resposta óbvia, mas incrivelmente estudos têm mostrado que depois de um ano, o grau de felicidade de quem ganhou na loteria e dos paraplégicos retorna quase ao nível original.
E por que isso acontece?Daniel Gilbert explica que “coisas maravilhosas são especialmente maravilhosas na primeira vez em que acontecem, mas sua fascinação se dissipa com a repetição. Quando temos uma experiência prazerosa em sucessivas ocasiões, começamos rapidamente a nos adaptar a isso e essa experiência produz cada vez menos prazer.
Por exemplo, digamos que você quer muito ter um carro esportivo. Então, você finalmente consegue um e talvez você se sinta feliz com isso por uma ou duas semanas. No decimo quinto dia, você recebe o orçamento do seguro novo e você fica irritado pelo aumento da taxa. No dia 400, seu carro esportivo é apenas um carro – quem se importa mais? Acostumamo-nos às coisas materiais e ao dinheiro. A ciência mostra que eles não nos fazem felizes a longo prazo.

O que faz as pessoas mais felizes?
Quando pedimos às pessoas para avaliar o quanto elas são felizes e, em seguida, olhar para o que fazem em suas vidas, descobrimos que as pessoas que têm fortes conexões sociais são mais felizes. Esse é o número um.
Estudos sobre como os sistemas biológicos operam revelam que eles nos motivam em direção a comportamentos como cooperação e reconciliação. De fato, existem sistemas no corpo que nos levam a ser mais sociais. Por exemplo, o sistema de dopamina mesolímbica ligado ao vício faz as pessoas sentirem prazer quando dão algo aos outros. Se medirmos os hormônios e a atividade no corpo e no cérebro quando as pessoas estão sendo úteis ou cooperando, veremos que um prazer acontece. É como se nosso cérebro fosse desenhado para nos impulsionar a ser generosos com os outros, visto que tais atos ativam áreas relacionadas ao prazer.
Bill Harbaugh, um economista da Universidade de Oregon, colocou voluntários em um scanner de ressonância magnética funcional (RMf) e, em seguida, disse a alguns voluntários que eles algumas vezes dariam o seu dinheiro para a caridade e outras vezes ficaram com ele. Quando as pessoas eram informadas de que estariam doando para caridade, as áreas de seu cérebro associadas ao prazer e à recompensa foram ativadas exatamente como ocorreu quando conseguiram manter o dinheiro. Portanto, o ato de dar é prazeroso. Outros estudos de RMf mostraram que o ato de cooperar e de prestar apoio a outros ativa áreas no cérebro relacionadas ao prazer.
Em um artigo publicado na Current Opinion In Psycholgy, James Coan e David Sbarra descrevem a Teoria Social de Base. Ela sugere, com base em anos de pesquisa em psicologia social e em neurociência, que para os seres humanos, estar sozinho é fundamentalmente mais difícil do que estar junto com os outros. De acordo com sua pesquisa, isso simplesmente requer mais esforço e recursos para funcionar no mundo. Nossos corpos refletem essa preferência fundamental por companhia.

Quanto de nossa felicidade está sob nosso controle consciente?
Mais do que pensávamos. Pesquisas sobre gêmeos sugerem que apenas cerca de 50 por cento da variância de felicidade entre duas pessoas tem a ver com os nossos genes. Gêmeos idênticos são mais propensos a ter resultados semelhantes de felicidade do que gêmeos fraternos. Os outros 50 por cento da variância de felicidade seriam decorrentes de escolhas individuais e formas de encarar a vida. A pesquisa de Sonia Lyubomirsky, PhD, na UC Riverside sugere circunstâncias de vida – quão privilegiado você é, se você é casado, se tem filhos – representa cerca de 10% da variância de felicidade. Ela atribui 40 por cento – quase metade da variância – às nossas experiências de vida diária. As pessoas que você vê, as atividades que você faz, como você vê o seu mundo a cada dia.
É preciso considerar que isto é apenas um modelo, baseado em alguns estudos, sendo difícil delimitar um número exato sobre o percentual de cada influência sobre o nível de felicidade. Mas se é certo, então temos a capacidade de mudar nossa própria felicidade. Podemos adotar uma nova perspectiva sobre outras pessoas menos temíveis ou competitivas. Podemos nos envolver em algum tipo de prática de autoconsciência, como gratidão ou oração.

As pessoas podem aprender a encontrar o equilíbrio que as torna felizes?
Alguns hábitos mentais já foram identificados como sendo prejudiciais, tais como o perfeccionismo e a maximização – a ideia de que eu tenho que aproveitar o máximo de cada momento ou estou insatisfeito. Por outro lado, as pesquisas mostram que existem coisas práticas que as pessoas podem fazer para que se sintam felizes. Por exemplo, há maneiras práticas de cultivar a atenção plena, a gratidão, o perdão e a bondade. Estas são atividades que as pesquisas mostraram aumentar nossa sensação de bem-estar e fortalecer nossas conexões com as pessoas que importam em nossas vidas. Assim, tal equilíbrio pode ser encontrado através da identificação e da transformação de hábitos prejudiciais em hábitos positivos.

Existe algo como “se esforçar demais”?
Possivelmente. Há evidências de que as pessoas que se esforçam muito para serem felizes podem ser menos propensas a se sentir felizes. A psicóloga Iris Mauss, da UC Berkeley, descobriu que as pessoas que se concentram na busca da felicidade tendem a se concentrar nos ganhos pessoais e isso pode prejudicar as conexões com outras pessoas. A pesquisa também sugere que as pessoas que experimentam quantidades intensas de emoção positiva podem ser menos criativas durante esse tempo e que muita emoção positiva torna as pessoas inflexíveis diante de novos desafios.
Portanto, não é a busca incessante da felicidade que importa. O que importa é permitir-se ter as experiências que sabemos que fazem as pessoas mais felizes. Passar tempo com alguém que importa para você. Saber que você está lá para eles quando eles precisam de apoio e eles estão lá para você.

Fonte: Escola de Saúde Pública de Berkeley, Universidade da Califórnia